terça-feira, 10 de abril de 2012


           GANHOS  E  PERDAS  COM  O  USO  DA  TECNOLOGIA
       “Pela primeira vez na história, a tecnologia da dominação é mais conhecida pelo ‘dominado’. Em outros termos: até hoje o professor trazia o saber, a norma culta, a escrita ‘correta’ para os não letrados. Hoje, ocorre um paradoxo: aquele a ser educado  é o que melhor domina os instrumentos simbólicos do poder, o aparato de maior prestígio: a tecnologia”(Ramal/2000)
        Até que ponto este paradoxo pode ser considerado bom ou ruim? Não se trata de classificá-lo assim, mas de aproveitar a tecnologia conhecida pelos jovens para aprimorar seu aprendizado. Neste sentido, podemos pensar: “o que vamos perder, quando deixarmos para trás a escrita manual e a leitura do livro impresso, e passarmos para a leitura e a escrita digital?”
        Certamente, haverá ganhos, e não são poucos. Mas quais seriam as perdas? O treino caligráfico é a mais visível das perdas, tendo em vista que o treinamento manual da escrita ficará prejudicado. Também pode ocorrer o fenômeno do plágio (copiar e colar), reduzindo a capacidade de raciocínio e elaboração de textos. Além de outros fatores que podem ser elencados.
        E os ganhos? Sob este aspecto, no processo da leitura e escrita digital há um ganho em dinamismo e praticidade, em relação aos livros tradicionais e à escrita no papel. Já não se torna necessário memorizar tudo o que já foi lido ou se quer transmitir, pois é possível retornar às partes anteriores de forma muito rápida e simples. Quanto à produção textual, há o processo de seleção, reescrita e reelaboração do texto escrito. Já não é necessário refazer todo o texto para aprimorá-lo, mas é possível reeditá-lo, mudá-lo, sem a necessidade de refazê-lo integralmente, “passando tudo a limpo”.
        Assim, ao inserir o uso da tecnologia nas atividades escolares, torna-se imprescindível potencializar os ganhos e minimizar as perdas. Mas como? Um possível caminho pode ser rascunhar ideias no papel, fazer tópicos, expandi-los manualmente, em um projeto de texto, como início da produção textual. O próximo passo é a digitação, a formatação digital, que alia dinamismo na finalização do trabalho, além de permitir a coautoria entre diversos alunos, em um mesmo texto.
        Desta forma, agiliza-se o processo da escrita, evitando operações no suporte do papel. Isso permite maior autoria com menor perda de tempo, potencializando a capacidade de se produzir textos mais elaborados.
        Sendo assim, para minimizar a tensão da inserção das atividades de leitura e escrita no novo suporte digital, o professor do próximo milênio será um “estrategista da aprendizagem”, que entende como o aluno aprende, criando modos de aprendizagem no computador. Pois, nele, a aprendizagem se dá por simulação, tentativa e erro, em que se pode refazer, para aprimorar.
        De acordo com Pierre Lévy, “o professor será um profissional responsável por traçar e sugerir caminhos para a construção do saber”. Essa “nova profissão” exige mudanças: uma visão crítica na seleção de informações e uma sintonia com os novos desafios, com atenção constante aos processos educacionais, tanto quanto aos resultados obtidos.
        Será mais difícil, “mas não formaremos receptores passivos de um conteúdo, e sim pessoas que saibam criar novos saberes, a serviço da humanidade. É hora de deixar a escola de janelas abertas para o mundo”(Andrea Cecília Ramal)

Nenhum comentário:

Postar um comentário