GANHOS E
PERDAS COM O
USO DA TECNOLOGIA
“Pela primeira vez na
história, a tecnologia da dominação é mais conhecida pelo ‘dominado’. Em outros
termos: até hoje o professor trazia o saber, a norma culta, a escrita ‘correta’
para os não letrados. Hoje, ocorre um paradoxo: aquele a ser educado é o que melhor domina os instrumentos
simbólicos do poder, o aparato de maior prestígio: a tecnologia”(Ramal/2000)
Até que ponto este paradoxo pode ser
considerado bom ou ruim? Não se trata de classificá-lo assim, mas de aproveitar
a tecnologia conhecida pelos jovens para aprimorar seu aprendizado. Neste
sentido, podemos pensar: “o que vamos perder, quando deixarmos para trás a
escrita manual e a leitura do livro impresso, e passarmos para a leitura e a
escrita digital?”
Certamente, haverá ganhos, e não são
poucos. Mas quais seriam as perdas? O treino caligráfico é a mais visível das
perdas, tendo em vista que o treinamento manual da escrita ficará prejudicado.
Também pode ocorrer o fenômeno do plágio (copiar e colar), reduzindo a
capacidade de raciocínio e elaboração de textos. Além de outros fatores que
podem ser elencados.
E os ganhos? Sob este aspecto, no
processo da leitura e escrita digital há um ganho em dinamismo e praticidade,
em relação aos livros tradicionais e à escrita no papel. Já não se torna
necessário memorizar tudo o que já foi lido ou se quer transmitir, pois é
possível retornar às partes anteriores de forma muito rápida e simples. Quanto
à produção textual, há o processo de seleção, reescrita e reelaboração do texto
escrito. Já não é necessário refazer todo o texto para aprimorá-lo, mas é
possível reeditá-lo, mudá-lo, sem a necessidade de refazê-lo integralmente,
“passando tudo a limpo”.
Assim, ao inserir o uso da tecnologia
nas atividades escolares, torna-se imprescindível potencializar os ganhos e
minimizar as perdas. Mas como? Um possível caminho pode ser rascunhar ideias no
papel, fazer tópicos, expandi-los manualmente, em um projeto de texto, como
início da produção textual. O próximo passo é a digitação, a formatação
digital, que alia dinamismo na finalização do trabalho, além de permitir a coautoria
entre diversos alunos, em um mesmo texto.
Desta forma, agiliza-se o processo da
escrita, evitando operações no suporte do papel. Isso permite maior autoria com
menor perda de tempo, potencializando a capacidade de se produzir textos mais
elaborados.
Sendo assim, para minimizar a tensão da
inserção das atividades de leitura e escrita no novo suporte digital, o
professor do próximo milênio será um “estrategista da aprendizagem”, que
entende como o aluno aprende, criando modos de aprendizagem no computador.
Pois, nele, a aprendizagem se dá por simulação, tentativa e erro, em que se
pode refazer, para aprimorar.
De acordo com Pierre Lévy, “o professor
será um profissional responsável por traçar e sugerir caminhos para a
construção do saber”. Essa “nova profissão” exige mudanças: uma visão crítica
na seleção de informações e uma sintonia com os novos desafios, com atenção
constante aos processos educacionais, tanto quanto aos resultados obtidos.
Será mais difícil, “mas não formaremos
receptores passivos de um conteúdo, e sim pessoas que saibam criar novos
saberes, a serviço da humanidade. É hora de deixar a escola de janelas abertas
para o mundo”(Andrea Cecília Ramal)
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